25 de Abril
O discurso do Presidente da República já não traz novidade.
O filme da Maria de Medeiros já vi.
Manhãs na cama há outras.
A Revolução dos Cravos foi pretexto para um salto ao lado de lá da fronteira.
De vacas, cegonhas e papoilas rezou o nosso caminho até Mérida, capital da Lusitânia.
As máquinas fotográficas já não paravam quietas no banco de trás e tanta impaciência forçou-nos a parar junto da ponte romana de Alcântara. Depois foi apertar a bexiga até ao destino e ver as horas esvaírem-se depressa demais por culpa da diferença horária.
Chegámos tarde e até à hora do almoço, que toda a viagem nos pesara na bagageira, apenas tivemos tempo para visitar o teatro e o anfiteatro romanos, antes que fôssemos dali escorraçadas ao apito.
Transferido o peso da bagageira para o estômago, delineado no mapa da cidade o plano de ataque e bem à vista do sol escaldante picámos o ponto em todo o monumento que não tinha “taquilla” à porta: Templo de Diana, Arco de Trajano, aquedutos, pontes...
Quando às 3, hora de cá, abriu o resto, ao resto nos dedicámos: Alcalabaza, Casa de Mitreo, cripta da Basílica de Santa Eulália, circo romano...
Sempre a grande velocidade, instigadas pelo meu estalar de dedos autoritário que a hora de fecho eram as 5, e sempre em busca da próxima torneira, que de uma ponta à outra da cidade não havia água que nos chegasse...
Só o Museu de Arte Romana estava aberto até às 9, mas as energias que nos sobravam pouco mais nos permitiram do que arrastarmo-nos pela sua cripta e pelos restantes três fabulosos andares.
Às 7 e picos dávamos a “faena” por terminada e assentávamos e nossa ressequida pele e extenuados músculos nos bancos do carro.
Arrancámos e só parámos em Badajoz para atestar o depósito por menos 15 cêntimos o litro e comprar caramelos, como manda a tradição. Numas bombas da Galp.
Depois foi contar quilómetros de Elvas por aí acima até chegar à banheira de casa por volta das 11 horas.
E foi isto!